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    01 novembro 2016

    Qual o verdadeiro nome de Jesus Cristo?


    Muito se tem discutido nestes últimos dias acerca do verdadeiro e exato nome de Deus e do Seu Cristo. Tais discussões não têm tido avanço real, haja vista que, nem mesmo entre os puristas linguísticos que vivem em função desta busca há unanimidade. Muitas são as variantes defendidas pelos pretensos detentores da ORTOGRAFIA e FONÉTICA divina. E por que não há consenso entre eles? Pelo simples fato de IGNORAREM que CADA LÍNGUA possui suas PRÓPRIAS LEIS.

    Cada idioma possui seu próprio léxico, sendo este o conjunto de palavras que lhe são próprias. As palavras por sua vez dispõem de típica morfologia. Ou seja, a forma que assumem, quanto a sua estrutura construtiva, depende do idioma a que pertencem. Semelhantemente, para cada forma, haverá uma fonética específica em cada língua. De sorte que cada idioma possui fonética, morfologia e léxico próprios, além de sintaxe, semântica, pragmática, semiologia, particulares e distintas. Afinal, o que distingue as várias Gramáticas (entende-se Gramática como a totalidade de regras que determinam cada idioma) são as suas idiossincrasias e especificidades, desde o rudimento fonético até a sua maior expressão na Literatura.

    Quando ocorre tradução, em que palavras, expressões e ideias migram de uma língua para outra, certo é que todas as suas leis, ou a maioria delas, devem obedecer às novas leis gramaticais para as quais são traduzidas. Sobretudo quando se trata da ortografia, a qual é a correta representação escrita e material dos fonemas. (Os fonemas estão para a fala, enquanto a ortografia está para a escrita). Escrever e falar segundo o padrão oficial de determinada língua é questão de ciência linguística. Afinal, cada idioma possui Gramática própria, prescrita e normativa, com vistas à unidade linguística ENTRE SEUS FALANTES. Impor, portanto, a mesma fonética ou ortografia de determinado idioma para todos os outros, para falantes de línguas estrangeiras que não estão sob a mesma prescrição gramatical, é sintoma de puro analfabetismo e inquestionável desconhecimento dos rudimentos linguísticos. Refiro-me ao fato de quererem condicionar, em todas as línguas, uma única e mesma fonética e ortografia ao nome de Deus e ao de Seu Ungido.

    Os puristas do nome divino, entretanto, possuem um argumento, frente ao aqui proposto: dizem que se tratando de nome próprio não há tradução. Afirmam que nomes pessoais devem manter inexoravelmente as mesmas formas gráficas e os mesmos sons, do ponto de vista físico, acústico e articulatório. Seria isso uma verdade ou um sofisma? Vejamos.

    Em Português dizemos que o fulano se chama João. Como representaríamos este nome em grego? Bem, segundo a ortografia, a escrita assumiria a seguinte estrutura: Iwαννης. Já conforme a fonética, pronunciaríamos /Ioanis/. Traduzido de volta para o Português, o iota se torna J, o ômega encontra o seu correlato na vogal "o", e o alfa, na vogal "a". A letra "ni" dobrada, graficamente representada pela letra "v", que em Português chamamos "ve", mas que em grego tem a fonética idêntica ao nosso "n", reunida ao "eta" (η) e ao "sigma" (ς) gregos, articulados em Português como "e" e "s", respectivamente, formam em grego o que em Português lemos simplesmente "ão". E tudo isso reunido lê-se, em Português, JOÃO. Se o traduzirmos para o Inglês, teremos John, cujo “j” possui articulação fonética distinta tanto do Grego quanto do Português. No Espanhol, escreve-se Juan, que lido segundo a fonética espanhola, diz-se /Ruan/. E a questão em torno do nome JOÃO fica muito mais complexa quando o traduzimos para o Italiano, em que encontramos GIOVANNI.

    Ora, vede. João, Iohannes, John e Giovanni, são tudo a mesma coisa, tendo por diferença unicamente as idiossincrasias particulares de cada idioma. Esse exercício pode ser feito com qual nome preferir. Pensemos sobre o nome Tiago. Para nós, brasileiros, simplesmente Tiago. Para os espanhóis, James. Para os italianos, Giacomo. Para os alemães, Jakob. Para o árabe, جيمس.

    Percebe-se claramente que, se tratando de línguas, mesmo quando o específico é NOME PRÓPRIO, adentramos em campo bastante complexo. Não sejamos simplórios. Não pensemos que este é assunto de religião. Trata-se de assuntos linguísticos. Se alguém deseja discutir tal matéria, deixe de lado a fé e procure especializar-se em ciências linguísticas. E não somente nisso, mas até mesmo em assuntos morfofisiológicos. Haja vista que, em razão de os idiomas serem orgânicos, sua práxis fonética depende da morfologia fisiológica do aparelho fonador de cada falante. Em que consiste a dificuldade de determinado indivíduo aprender efetivamente uma segunda língua? Não obstante a facilidade dos aspectos teóricos da língua estudada, há de entravar-se na organicidade articulatória da execução fonética-fonológica das palavras estrangeiras, pela dificuldade de produção de sons inexistentes em sua língua materna, para os quais o seu aparelho fonador não foi condicionado.

    Há de se ressaltar ainda que, diante de toda a babel linguística do mundo, Deus jamais pode condicionar Sua salvação nem as bênçãos dela decorrentes a uma maneira correta de se pronunciar um nome nem tampouco à sua ortografia. Afinal, Deus é o ser INOMINÁVEL. Nem um nome do mundo, seja ele escrito ou pronunciado, é capaz de nominar aquele que é eternamente desconhecido. Pois, qual dos finitos pode delimitar, mediante um nome, o INFINITO? Qual dos mortais, com as suas balbuciantes e bárbaras palavras pode definir o INDEFINÍVEL? Pode o ABSOLUTO ser contido no relativo? Pode o ETERNO ser aprisionado num trapo de palavra que, de tão efêmera, não suporta a diacronia de sua própria língua-mãe, vindo a morrer no eixo de sua história? Ah! Queridos, desculpem-me. Mas há muita gente reduzindo o Deus-espírito a meras fraseologias linguísticas, culturalmente nascidas no tempo e, nele, fadadas a morrer.

    Palavras, expressões, frases, que para nada servem, senão para habilitar os homens de determinado tempo e espaço a se relacionarem fugazmente com os seus iguais, mediante gaguejantes palavras, nada são diante do LOGOS, do VERBO, da PALAVRA VIVA. Busquemos, pois, as coisas eternas, sem atentar para as efêmeras, tendo em conta que o Deus onisciente conhece nossos corações, mesmo sem termos pronunciado palavra alguma, como está escrito: “Ainda a palavra não me chegou à língua, e tu, Senhor, já a conheces toda” (Sl 139:4).

    Encerro estas considerações, com o belíssimo poema do poeta pré-modernista, Augusto dos Anjos:

    A Ideia

    “De onde ela vem?! De que matéria bruta
    Vem essa luz que sobre as nebulosas
    Cai de incógnitas criptas misteriosas
    Como as estalactites duma gruta?!

    Vem da psicogenética e alta luta
    Do feixe de moléculas nervosas,
    Que, em desintegrações maravilhosas,
    Delibera, e depois, quer e executa!

    Vem do encéfalo absconso que a constringe,
    Chega em seguida às cordas do laringe,[1]
    Tísica, tênue, mínima, raquítica...

    Quebra a força centrípeta que a amarra,
    Mas, de repente, e quase morta, esbarra
    No molambo da língua paralítica!

    No amor do Inominável de mil nomes...

    Alexandre Rodrigues

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