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    05 agosto 2016

    Mulher acusa Feliciano de estupro; polícia pede prisão de chefe de gabinete


    No depoimento que prestou na quinta-feira, 4, à Polícia Civil de São Paulo, a jornalista Patrícia Lelis, ex-militante do PSC jovem, forneceu detalhes de como, segundo ela, Fo deputado a atraiu para seu apartamento funcional em 15 de junho

    Marco Feliciano. Foto: Antonio Augusto / Câmara dos Deputados

    O chefe de gabinete do deputado Pastor Marco Feliciano (PSC-SP), Talmo Bauer, foi ao 3º DP da capital paulista nesta sexta-feira, 5, depor a respeito da acusação de sequestro qualificado contra uma jovem de 22 anos que acusa o parlamentar de tentativa de estupro, assédio sexual e agressão. O delegado já pediu a prisão temporária dele, que deve ser analisada ainda hoje pela Justiça de São Paulo. Além disso, a Procuradoria-Geral da República avalia se investiga Feliciano a pedido da Procuradoria Especial de Mulher do Senado.

    No depoimento que prestou na quinta à Polícia Civil de São Paulo, a jornalista Patrícia Lelis, ex-militante do PSC jovem, forneceu detalhes de como, segundo ela, Feliciano a atraiu para seu apartamento funcional. Era 15 de junho.

    “Ele falou que tinha uma reunião do PSC jovem mas quando cheguei la só estava ele”, disse. A jornalista disse que em seguida o parlamentar teria tentado abusa-la sexualmente. “Ela tentou levantar meu vestido e tirar minha blusa. Como eu não deixei, ele me deu um soco na boca e um chute na perna”, disse. Ela contou que só conseguiu escapar porque uma vizinha ouviu seus gritos e tocou a campanhia para saber se estava tudo bem.

    Acompanhada da mãe e de uma advogada, ela também acusou dois outros políticos importantes do PSC. Patrícia relatou que em 16 de junho, um dia depois de ter sido agredida por Feliciano, procurou ajuda no partido, mas em resposta ouviu uma proposta para receber dinheiro em troca de seu silêncio.

    A proposta teria sido feita pelo presidente nacional do PSC, Pastor Everaldo, segundo ela, em uma reunião na qual estava também presente o deputado Gilberto Nascimento. “Pastor Everaldo me deu uma sacola de mercado cheia de dinheiro e disse que era para eu ficar quieta”, disse. Segundo ela, Everaldo também a ameaçou de morte.

    Patrícia contou que após relatar o caso no PSC passou a ser perseguida dentro do partido.

    Patrícia conta que foi procurada pelo chefe de gabinete de Feliciano, Talma Bauer. Os dois se encontraram em um café. A conversa foi gravada por ela. O arquivo foi encaminhado por ela a dois amigos, com a orientação de que deveria ser divulgado na internet caso acontecesse alguma coisa com ela.

    No sábado passado, Patrícia saiu de Brasília e foi para São Paulo. Assim que chegou na capital paulista ela diz que continuou sendo assediada por Bauer. Segundo ela, o chefe de gabinete a forçou a gravar dois vídeos em que negava as agressões e rasgava elogios a Feliciano. Os videos foram publicadoa na internet nesta semana. “Ele também pagou a senha do meu Facebook e do whatsapp e passou a mandar mensagens em meu nome”.

    Ao estranhar a postura da jovem nas redes, os amigos divulgaram, na quarta-feira passada, o áudio. Na conversa, Bauer oferece ajuda a ela e a aconselha a “deixar tudo para lá”, disse.

    Patrícia foi contactado pelo Estado nesta quarta. Por telefone, reafirmou oque que havia dito no video, que não havia sido agredida por Feliciado.

    Ao conversar pesoalmente, no entanto, confirmou ter sido agredida. “Eu estava com medo porque estou sendo monitorada”, disse. Durante a conversa com a reportagem, Patrícia recebeu dezenas de ligações de Bauer.
    Patrícia procurou a polícia e contou sua história.

    A investigação será encaminhada para Brasília porque Feliciano tem foro privilegiado. “Vamos apurar o caso com muito cuidado, disse o delegado resoonsavel pelo caso, o delegado Luís Roberto Hellmeister, titular da 3 CP.

    Procurados pelo Estado, os deputados Pastor Marco Feliciano e Gilberto Nascimento não foram localizados. O presidente do PSC, Pastor Everaldo, diz que o tema será debatido na sigla na terça-feira e que será criada uma comissão interna para averiguar o caso. Segundo o dirigente, o senador Marcondes Gadelha coordenará o processo.

    “Essa pessoa que está falando aí eu nunca recebi sozinho. Recebi uma única vez na sede do partido. Não conheço essa história. Não sei do que se trata”, disse Everaldo.

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