Secretária era a favor do fim da criminalização do aborto até conhecer Deus.

Nesta terça-feira, 31, o Presidente em exercício Michel Temer nomeou a ex-deputada federal Fátima Pelaes (PMDB-AP) para o cargo de chefe da Secretaria de Políticas para Mulheres. Bastou a nomeação ser confirmada para que polêmicas envolvendo Fátima fossem publicadas na mídia. Ela é evangélica e disse que sua opinião sobre o aborto, por exemplo, segue os preceitos bíblicos.

Ela é contra o procedimento, até mesmo em casos de estupro. No Brasil, as mulheres tem apoio do Sistema Único de Saúde (SUS) para abortar em alguns casos, um dos mais conhecidos é se ela for vítima de estupro. Essa lei existe desde o ano de 1984, criada do processo de redemocratização do país.

As chefes anteriores da Secretaria, ainda durante o governo da presidente afastada Dilma Rousseff, tinham posturas feministas. Já a nova Secretária é especializada em sociologia e não gosta de levantar bandeiras polêmicas, especialmente aquelas que não seguem o cristianismo. Ela é a favor da família tradicional, formada por homem, mulher e filhos.

A polêmica envolvendo o fato dela ser contra o aborto, até mesmo em casos de estupro, aparece exatamente no dia em que o Senado aprovou uma emenda Constitucional que eleva a pena para quem comete estupro coletivo. O crime de estupro já era hediondo, mas o projeto de lei que vai para Câmara estipula que quando a vítima for violada por mais de dois homens, a pena para os criminosos é a máxima na legislação, 30 anos.

Recentemente, ''uma adolescente de 16 anos revelou que foi estuprada por mais de 30 homens'' no Rio de Janeiro. O estupro coletivo levou Michel Temer a criar projetos de segurança à mulher. Em 2002, em um entrevista, a hoje Secretária argumentou que desde que conheceu Jesus passou a defender o direito da vida para todos. Antes de conhecer Jesus, no entanto, a ex-deputada defendia o fim da criminalização do aborto.

As polêmicas que mesclam política e religião são antigas. No dia 17 de abril, ao votarem pelo impeachment, deputados usaram o nome de Deus para justificar o "Sim" ou "Não" para Dilma Rousseff.

Fonte: Blastingnews

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