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    23 maio 2016

    Contradições: Olavo de Carvalho, astrologia e antipetismo


    Por Julio Severo
    “Todas as mudanças culturais que aconteceram no Brasil nos últimos anos, com as conseqüências políticas que as acompanharam, foram o resultado, em parte direto, em parte indireto, de um PLANO que comecei a aplicar a partir de meados dos anos 80.”
    Essas palavras, escritas por Olavo de Carvalho, concedem para si mesmo o Prêmio Nobel por “todas as mudanças culturais e políticas” no Brasil atual, buscando atribuir o antipetismo e o antilulismo predominantes hoje na sociedade brasileira a um suposto plano antipetista e antilulista iniciado por ele em meados da década de 1980. Mas nessa década e mesmo depois, ele estava de fato envolvido em antipetismo e antilulismo?

    Num texto da década de 1990, Olavo advertiu seus leitores que tentassem enxergar nele um autor “hidrófobo antipetista.” Ele disse:
    “Votei em Lula para presidente e o faria de novo, com prazer, se ele tomasse [certas] providências.”
    Mais que isso, Olavo disse: “Lula é um homem decente.”

    São declarações pró-Lula feitas muito tempo depois que ele já havia começado a aplicar um suposto plano antipetista e antilulista.
    Hoje, ele não cessa de auto-reconhecer que ele é o responsável pelo antipetismo, o antilulismo e até mesmo o impeachment de Dilma Rousseff, embora simule humildade diante de toda a sociedade brasileira que parece “teimar em não reconhecer” o papel principal que ele mesmo deu para si. Olavo disse recentemente:
    “Não faço questão nenhuma de que reconheçam o papel central que desempenhei.”
    Se não quiserem dar a ele o Oscar do antilulismo, não tem problema: ele próprio dá para si mesmo! Mas na década de 1980, Olavo não era um ativista antipetista e antilulista nem no Brasil nem na China. Antes de escolher se apresentar como filósofo conservador que prediz tendências e eventos políticos, ele era um famoso astrólogo (e fundador e diretor da primeira escola de astrologia do Brasil) que predizia tendências e eventos políticos. Então é muito comum seus seguidores bocas sujas dizerem hoje “Mestre Olavo predisse essa e aquela tendência e evento político.”

    Na década de 1980, Olavo de Carvalho era um ativista esotérico, não um ativista antipetista e antilulista


    Na década de 1980, Olavo estava seguindo o “conservadorismo” da Filosofia Tradicionalista ou Perene de René Guénon, um feiticeiro islâmico que costumava predizer tendências e eventos políticos. A primeira tradução para o português de um livro do Guénon foi feita pelo Olavo.
    Quando iniciou seu suposto plano antipetista e antilulista, Olavo já estava totalmente mergulhado no esoterismo da astrologia e feitiçaria islâmica. Pode alguma coisa boa sair disso?

    Na década de 1980, eu era (e continuo) antipetista roxo, e as igrejas pentecostais que frequentei naquele tempo eram antipetistas roxas. Mesmo antes daquela época (no final da década de 1970 e início da década de 1980), programas de TV de Pat Robertson e Jimmy Swaggart, de vastas audiências no Brasil, estimulavam o público contra o socialismo.

    A TFP católica daquele tempo era também antipetista roxa. Nunca ouvi falar do Olavo na época, e se ouvi, logo me esqueci, pois como cristão o PT, a astrologia e declarações elogiando “Lula como um homem decente” em nada me interessavam. Se eu visse um astrólogo elogiando ou atacando Lula, isso não teria a mínima importância para mim.

    Mesmo assim, insistentemente hoje Olavo afirma prever tudo e que desde 30 anos atrás, ele previu o mal de Lula e do PT contra o Brasil e que ele já havia lançado um plano antilulista em 1985. E insiste em outras previsões “políticas.”
    Andam dizendo, entre católicos, espíritas, esotéricos e até evangélicos: “Ele é um profeta!”
    Não tenho absolutamente nada contra espíritas e esotéricos que considerem Olavo um profeta. Eles sabem com quem se identificam. Mas até evangélicos?

    Alguns calvinistas cessacionistas, que não acreditam em dom de profecia para hoje, creem na capacidade “política” do Olavo prever.

    Olavo de Carvalho é um “verdadeiro profeta”?

    Até um famoso pastor da Assembleia de Deus não teve o mínimo resguardo bíblico de chamar Olavo de “verdadeiro profeta” no Congresso Nacional. Será a mancada assembleiana do século XXI. Ele superou José que estava entre magos e astrólogos no Egito, mas nunca os chamou de “profetas” por suas “previsões” políticas. Ele superou Daniel que estava entre magos e astrólogos na Babilônia, mas nunca os chamou de “profetas” por suas “previsões” políticas.

    Com Olavo, previsões (altamente desconexas, nebulosas, contraditórias e confusas) viraram consenso e ele é poupado por apologetas e cessacionistas, pois aparentemente o cessacionismo não se aplica a revelações vindas da astrologia, mas só ataca revelações vindas do Espírito. Se esse for o caso, Olavo está isento, pois o que ele possui não vem de experiências com o Espírito Santo, mas de uma pesada e vasta experiência ocultista, que envolve diretamente “previsões” políticas de natureza astrológica. Daí o motivo de ele estar sempre dizendo: previ, prevejo e — é claro — continuará prevendo muito no futuro.

    O “dom” de revelação da astrologia, que já nos tempos da Bíblia andava com a política, se tornou uma ferramenta fantasticamente embutida em sua “filosofia” política, que envolve uma estranha paixão revisionista pró-Inquisição, que torturava e matava judeus e evangélicos pelo “delito” de opinião religiosa diferente. Com Olavo ou com os antigos astrólogos do Egito e da Babilônia, política e astrologia são inseparáveis.

    Eu achava que os evangélicos — inclusive eu — que se aproximaram do Olavo pudessem ajudá-lo a sair das trevas e ir para a luz. Contudo, ninguém — nem eu — pôde, mas quase todos — excluindo a mim — se tornaram “religiosamente” seduzidos, hipnotizados e liderados por ele, em vez de o liderarem para o Espírito. Os poderes ocultos da astrologia são maiores do que o poder do Espírito, ou esses evangélicos não são convertidos?

    O que se deve fazer com premonições e predições?

    Mesmo que uma premonição ou predição demoníaca seja aparentemente correta, a obrigação do cristão é repreender e expulsar o demônio da vítima que faz premonições:
    “E aconteceu que, indo nós para o lugar de oração, nos saiu ao encontro uma jovem escrava que estava tomada por um espírito que a usava para prognosticar eventos futuros. Dessa forma, ela arrecadava muito dinheiro para seus senhores, por meio de adivinhações. Seguindo a Paulo e a nós, vinha essa moça gritando diante de todos: ‘Estes homens são servos do Deus Altíssimo e vos anunciam o caminho da salvação!’ E ela insistiu em agir assim por vários dias. Finalmente, Paulo irritou-se com aquela atitude e dirigindo-se ao espírito o repreendeu, exclamando: ‘Ordeno a ti em Nome de Jesus Cristo, retira-te dela!’ E ele, naquele mesmo instante, saiu.’” (Atos 16:16-18 KJA)
    Vasculhar escombros e entulhos de premonições e predições em busca de “pepitas de ouro” de conservadorismo ou antimarxismo não é um trabalho saudável. Há casos de líderes evangélicos que ao lerem muito material satânico para entenderem como as trevas trabalham acabaram possessos. Mentes fracas? Não. O Apóstolo Paulo, ao lidar com homens cultos que haviam saído do ocultismo, só tinha uma orientação: Eles deveriam queimar publicamente seus livros satânicos e dar testemunho público de como o poder de Deus foi maior e transformador em suas vidas.
    “Muitos dos que creram, assim que chegavam, começavam a confessar e a declarar em público suas más obras praticadas. Da mesma forma, muitos dos que haviam se dedicado ao ocultismo, reunindo seus livros de magia, os queimaram diante de toda a comunidade reunida. Calculados os seus preços, chegou-se à estimativa de que o valor total equivalia a cinquenta mil moedas de prata. E assim, a Palavra do Senhor era grandemente propagada e prevalecia poderosamente.” (Atos 19:18-20 KJA)
    Necessariamente, a rejeição ao ocultismo vem depois de uma conversão genuína.
    Por mais valiosos que sejam, temos de queimar os livros e escritos de ocultistas. Ou somos mais sábios que Paulo?

    Não podemos confiar na inteligência humana, que é alimentada por livros. Essa inteligência é vista como tolice diante de Deus, conforme disse Paulo:
    “Onde está o filósofo? Onde está o acadêmico? Onde está o debatedor desta era? Deus não transformou em loucura a sabedoria deste mundo?” (1 Coríntios 1:20 HCSB)
    Portanto, a sabedoria ou filosofia do homem nada mais é que loucura aos olhos de Deus, ainda mais quando carregada de premonições, predições e astrologia. A filosofia humana, energizada pelo esoterismo, gera culto à personalidade.
    A inteligência espiritual, que é alimentada exclusivamente pela Bíblia, gera o temor de Deus, que é o princípio da sabedoria verdadeira. Gera culto a Deus.

    O que é astrologia?

    O que a Bíblia tem a dizer sobre predições, premonições e astrologia? De acordo com Daniel 1:20; 2:2, 10, 27, o astrólogo (cuja palavra original em hebraico é “ashshaph” e significa “encantador”) é alguém que professa ver, com a ajuda de “deuses,” acontecimentos futuros através da aparência das estrelas. Essa prática era comum na Babilônia, onde o profeta Daniel estava. A astrologia é proibida por Deus. Confira Deuteronômio 4:19; 18:10 e Isaías 47:13.

    Na antiga Babilônia, astrologia (ocultismo) andava de mãos dadas com a política. Os “deuses” da astrologia são na verdade demônios que buscam influenciar assuntos e destinos políticos.
    O Michaelis-Moderno Dicionário de Língua Portuguesa diz que “astrólogo” é sinônimo de “encantador, feiticeiro e mago.” Outros dicionários também ligam astrólogo com encantador.

    Encantador é alguém que encanta, seduz, fascina, cativa, maravilha e enfeitiça. Pela sua experiência espiritual, Olavo tem vasto conhecimento e prática dessas técnicas, pois fazem parte da função do astrólogo.

    Se um simples astrólogo domina algumas técnicas ocultistas de sedução e engano, Olavo domina todas essas técnicas. Muito mais do que um mero astrólogo, Olavo foi chefe de astrólogos. Veja este vídeo: https://youtu.be/-XDFh_eLgPI

    Encantamento

    Existe farto material, escrito pelo próprio Olavo, que mostra suas afinidades espirituais. O mistério é como evangélicos têm sucumbido a esse tipo de encantamento. Há casos até de pastores que se converteram para o peculiar catolicismo pró-Inquisição dele depois de se tornarem alunos do curso dele. Isso de fato é encantamento.

    Não importa como ou quanto Olavo xingue ou ofenda seus adeptos evangélicos cegos, eles adoram sua cegueira.
    Depois do Olavo chamar Marco Feliciano publicamente de “burro, despreparado, soberbo e irresponsável,” Feliciano chamouOlavo de “verdadeiro profeta” e está agora, junto com Olavo, dando aulas de conservadorismo. Isso é encantamento.

    Chamar o Olavo, nessas condições, de “verdadeiro profeta” é igualar o papel de um encantador ou astrólogo (que “vê” o futuro por meios desaprovados por Deus) ao papel de um homem de Deus que recebe revelações de Deus. É uma comparação incompatível. É puro efeito de encantamento.
    No passado, Paulo ajudou na libertação de uma jovem escrava de espíritos de premonição. Hoje, quem ajudará um velho escravo dos mesmos espíritos? Quem ajudará os que estão se deixando encantar por esses espíritos?

    Contradições e incoerências

    Se o Olavo de fato previu os perigos de Lula e do PT em meados da década de 1980, ele agiu como um astrólogo contraditório. Se na época ele fosse filósofo, seria mais contraditório ainda — tão contraditório quanto um famoso esotérico antimarxista da década de 1930.

    Depois de iniciar seu plano antipetista e antilulista na década de 1980, Olavo votou em Lula para presidente e disse que “Lula é um homem decente.” Hoje, posa de deus do antipetismo e antilulismo e faz questão de não deixar ninguém se esquecer de que ele é merecedor do Prêmio Nobel Anti-PT e Anti-Lula. E faz questão igual de lembrar a todos de que desde a década de 1980 ele já previu tudo sobre o Brasil.

    De forma semelhante, depois de passar os anos recentes numa obsessiva propaganda anti-Rússia e anti-Putin, agora Olavo posa de apoiador de Donald Trump, o candidato presidencial mais pró-Rússia e pró-Putin da história recente dos EUA.

    Mais contraditório (ou oportunista) que isso, impossível. Mas totalmente natural no que se refere às confusões que o esoterismo normalmente provoca na mente de seus adeptos.

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