terça-feira, 26 de abril de 2016

Um alerta aos pais: Livro infantil do MEC ensina a evocar espíritos


Este livro foi distribuído no começo do ano para escolas públicas de todo o país, visto que integra o acervo de livros literários selecionados em 2013, pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e pelo Programa Nacional Biblioteca na Escola (PNBE). De acordo com a classificação feita pelo Ministério da Educação (MEC), serve do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental, ou seja, atende alunos que tenham entre 11 e 15 anos.

Ele conta aventuras de 5 adolescentes entre 12 e 17 anos, durante as férias escolares numa casa de praia do litoral norte paulista. Uma das aventuras foi brincar de consultar o sobrenatural com o jogo do copo ou tabuleiro ouija. A brincadeira, porém, fugiu ao controle do grupo com a aproximação do suposto espírito de um jovem surfista e a ocorrência de outros fenômenos sobrenaturais.


O tabuleiro ouija que foi utilizado pelos adolescentes, com respostas sim ou não escritas em papel e o copo servindo de indicador, é uma variante do mesmo instrumento de superfície plena, letras, números, símbolos e indicador móvel utilizado pelas irmãs americanas Kate e Margaret Fox para se comunicarem com espíritos.


O livro trata de questões filosóficas e espirituais complexas como o destino, livre arbítrio, morte e pós-morte, possessão, necromancia, mediunidade, tudo de acordo com a visão da doutrina espírita. Essas questões são resolvidas ora pela narradora-personagem Magda ou pela sua avó Magdalena, professora universitária, pesquisadora e parapsicóloga.

Considerações

No anexo 1, há o testemunho da narradora-personagem dizendo que sua iniciação em experiências sobrenaturais deu-se aos 15 anos. A personagem mais nova, tem 12 anos. Coincidentemente, essa é a faixa etária de leitores recomendada pelo MEC.

Cabem as perguntas: será que os alunos não buscarão reproduzir a experiência sobrenatural dos personagens? Quais as possíveis consequências dessa eventual experimentação, visto que trata-se de prática religiosa sujeita a efeitos concretos?

Nos anexos 2 e 3, consta a suposta conversa do grupo com o espírito do jovem surfista.

Cabe a pergunta: qual o impacto que esta possibilidade de evocação de espírito pode ter na crença de um aluno-leitor que pertença a uma família que não acredita na comunicação dos vivos com os mortos?

Nos anexos 4 e 5, acontece o desfecho da história e onde são tratadas as grandes questões doutrinárias do livro. Uma forte defesa da doutrina espírita.

Cabe a pergunta: embora possa ser considerado considerado ficcional e literário, não teria este livro uma função prioritariamente proselitista?

A própria autora, em entrevista publicada no mesmo livro, admite que acredita na realidade dessas manifestações espiritualistas. Ela, no entanto, pondera que é possível aos leitores fazerem outra interpretação, creditando as manifestações sejam fantasias e no máximo, obra de fantasmas.

Estes questionamentos se baseiam no esforço deliberado das diretrizes educacionais públicas brasileiras pelo apagamento dos valores culturais das tradições judaica e cristã. Os livros didáticos e paradidáticos quase não fazem mais referência à religiosidade cristã, por exemplo. Por outro lado, privilegiam outras manifestações religiosas, principalmente aquelas ligadas à Nova Era e as espiritualistas.

Essa política medida e consciente de desconstrução, apagamento e substituição religiosa através da escola tem trazido desconforto aos mais de 80% de cristãos (católicos e evangélicos). E é a esse grupo majoritário que pertencem as crianças, adolescentes e jovens das escolas públicas.

Orley José da Silva, é professor em Goiânia, mestre em letras e linguística (UFG) e mestrando em estudos teológicos (SPRBC)

Anexos (complementam as informações do texto)







O CORREIO DE DEUS
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