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    17 janeiro 2016

    Sem solução à vista para o impasse diplomático entre Brasil e Israel


    Apesar do incidente diplomático entre Brasil e Israel devido à recusa do Governo brasileiro em aceitar a nomeação do empresário Dani Dayan para o cargo de embaixador de Israel em Brasília, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, confirmou manter a indicação.

    Dani Dayan teve destaque na política mundial após ser porta-voz dos cerca de 500 mil colonos judeus na Cisjordânia ocupada.

    O modo como Dani Dayan foi indicado desagradou o Governo brasileiro. Netanyahu anunciou a nomeação através do Twitter, sem um documento formal ou aviso prévio ao Itamaraty. Além disso, a diplomacia brasileira também se coloca contra a política de ocupação dos territórios palestinos.
    Dayan aguarda desde agosto do ano passado a aceitação por parte do Planalto, e as chances de ele ocupar o cargo se tornam cada vez mais distantes.

    O especialista Jorge Mortean acredita que o impasse coloca o Brasil numa posição difícil, já que a postura do país é sempre a favor da paz entre israelenses e palestinos.

    “O que acontece, porém, é que Dani Dayan é um colono dentro de um dos assentamentos israelenses nos territórios palestinos ocupados, e isso fere a retórica ideológica da nossa política externa. O atual Governo brasileiro tende a reforçar essa posição e ser um pouco intransigente com qualquer assunto que fira a ordem social palestina, que já é dominada totalmente por políticas de ocupação israelenses.”

    Mortean garante que após a postagem, no Twitter, da indicação de Dani Dayan, o Primeiro-Ministro Benjamin Netanyahu formalizou a nomeação ao Governo brasileiro.

    “Ele anunciou pelo Twitter, mas logo em seguida foi feito o anúncio oficial. Então, não vejo nenhum problema em o primeiro-ministro anunciar seja por qual meio for essa indicação. Ele foi indicado, só não houve o agréement.”

    O especialista vê com pesar a situação, considerando que, do ponto de vista das relações internacionais, manter uma embaixada sem um titular formal representa simbolicamente que a relação entre os países está comprometida.

    Jorge Mortean acredita que Benjamin Netanyahu realmente vai manter sua decisão e não indicar outro nome para o cargo. Segundo o professor de Relações Internacionais, o primeiro-ministro israelense tem tomado o impasse como uma afronta do Governo brasileiro.

    “Se Netanyahu quiser responder à altura, eu acredito que ele não vai indicar outro nome para o cargo, deve manter esse cargo suspenso, enviar um encarregado de negócios ou fazer alguém dentro do corpo diplomático em Brasília assumir esse papel na ausência do embaixador. Não creio que haverá uma próxima indicação da Chancelaria israelense, justamente porque, segundo a leitura brasileira, a indicação desse colono foi uma afronta a toda política externa bilateral que havia se alcançado até então.”

    Fonte: sputniknews

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