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    11 dezembro 2015

    Infância roubada: Turquia tem mais de 180.000 crianças-noivas


    Uma proeminente ativista dos direitos das mulheres levantou grande preocupação na comunidade internacional esta semana ao denunciar a existência de mais de 180.000 meninas-noivas na Turquia, bem como o fato de um terço de todos os casamentos no país envolverem jovens menores de idade.

    "Há 181.036 noivas-crianças em nosso país, infelizmente", disse a advogada Nuriye Kadan, da organização İzmir Bar Association Central, após uma investigação o tema.

    De acordo com pesquisas recentes, um terço de todos os casamentos realizados na Turquia acontece entre um homem mais velho e uma criança, segundo informou Kadan, enfatizando que os dados indicam "uma grande violação dos direitos das crianças" que precisa ser enfrentada.

    A questão das meninas-noivas é antiga na Turquia, mas muitos pesquisadores acreditam que a situação está piorando, dada a atual situação econômica e política do país. Acredita-se que o afluxo de refugiados da Síria e do Iraque está elevando os números de modo assustador.

    A idade legal para as mulheres se casarem no país é de 17 anos, mas muitas uniões podem ser aprovadas com a idade de 16, se puder ser provado que existem "circunstâncias excepcionais" que apoiam o casamento. Porém, apesar das restrições legais, Kadan afirma que muitos violam as leis turcas.

    "Quase 20.000 pais apresentaram pedidos para casar suas filhas com menos de 16 anos em 2012", informou a advogada.

    A situação afeta diretamente o nível educacional das mulheres no país.

    "97,4 por cento dos estudantes que não continuam a sua educação por razões conjugais são do sexo feminino", disse Kadan, acrescentando que as complicações médicas decorrentes da gravidez foram responsáveis por inúmeras mortes de jovens entre 15 e 19 anos.

    Enquanto o presidente turco Recep Erdogan descreve a situação feminina na Turquia como a "ferida que sangra" do país, ele também tem sido acusado de manter pontos de vista machistas depois de dizer que homens e mulheres não podem ser colocados em "pé de igualdade".

    Apesar de tudo, a Turquia assinou a Convenção do Conselho da Europa de 2011 sobre a prevenção e o combate à violência contra as mulheres, o que exigiria a promulgação de leis que considerassem atos intencionais forçando qualquer adulto ou criança ao casamento como um crime no país, segundo explicou Mustafa Ruhan Erdem, professor de Direito da Universidade de Yasar.

    Fonte: Últimos Acontecimentos

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