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    12 agosto 2015

    "Alphabet leva Google do G ao A, à frente do F de Facebook"

    Nova holding deve trazer uma série de benefícios à gigante da internet, incluindo crescimento em setores como biotecnologia e transportes, aponta Tobias Kollmann. Para especialista, reestruturação é "jogada inteligente".


    A Google anunciou nesta segunda-feira (10/08) uma reestruturação ao criar a holding Alphabet, da qual a companhia atual fará parte. Ao apresentar a novidade, o CEO Larry Page disse que a nova estrutura permitirá "manter o foco nas oportunidades extraordinárias que temos dentro da Google".
    Em entrevista à DW, Tobias Kollmann, professor de Economia e Tecnologia da Informação na Universidade de Duisburg-Essen, fala sobre a estratégia por trás da reestruturação, que deve resultar em inovações e permitir que a Google diversifique seus ramos de atuação.
    "O crescimento não está mais no negócio dos motores de busca, pois a companhia já é líder de mercado no setor. Ciências biológicas, biotecnologia e transporte serão áreas de expansão", diz Kollmann, especialista em e-commerce e membro-fundador da Associação Alemã de start-ups. Ele também dá consultoria ao governo alemão sobre questões relacionadas à economia digital.
    DW: A Google anunciou a criação da holding Alphabet, como parte de um grande esforço de reestruturação. Qual a estratégia por trás disso?

    Tobias Kollmann é professor de Economia e especialistas em e-commerce
    Tobias Kollmann: Trata-se de uma jogada muito inteligente. Há três razões que indicam benefícios para a empresa. A primeira delas é econômica: estruturas em holding sempre são mais robustas e resistentes a flutuações em uma das subempresas. Ou seja, se uma não funciona, isso não abala o conjunto. Além disso, a holding possibilita uma melhor distinção entre diferentes setores. E sabemos que há muito tempo a Google não oferece apenas um mecanismo de busca, mas também negócios nos ramos de ciências biológicas, biotecnologia e transporte. A estrutura também se refletirá na maneira como a Google reporta seus rendimentos. Se por um lado fica mais difícil compreender o todo em relatórios, por outro, o sucesso em cada área pode ser muito mais bem documentado.
    Outra razão diz respeito ao pessoal. Os dois fundadores da Google, Larry P age e Sergey Brin, estão abrindo espaço para mais gestão de know how em cada uma das empresas. Eles mesmo vão para a Alphabet [como CEO e presidente]. Isso significa que há novas perspectivas de contratar gestores responsáveis com conhecimentos específicos para cada um dos negócios.
    E também há com certeza uma razão política. Há tempos há pedidos para que se destrua o grande mal Google. Agora, isso vai diminuir um pouco. Não se trata mais apenas da grande Google, mas sim de uma ainda não tão estabelecida holding Alphabet, com muitas subsidiárias. Assim, sempre é possível apontar para o que cada uma das empresas faz e não mais simplesmente se voltar contra o grande império da internet Google.
    Que efeitos a reestruturação tem sobre os usuários?
    Inicialmente, nenhum. A oferta atual da Google vai obviamente continuar disponível. Com certeza haverá inovações nos vários setores. É claro que até agora os fundadores da Google não conseguiram atuar em todos os segmentos igualmente bem. Isso certamente foi uma razão por que se chegou a essa nova estrutura.
    Não podemos esquecer que Google não conseguiu mais dar passos largos no mercado de ações nos últimos anos. Então, uma das estratégias era intenção era aliviar a pressão sobre os dois fundadores [Page e Brin] ao criar a holding com várias subsidiárias. Isso poderia ser uma vantagem para o cliente, porque deve resultar em inovação.
    E quanto aos custos para a nova holding? Eles desempenham um papel importante nas bolsas.
    Do ponto de vista de um investidor, inicialmente, um novo potencial de receitas é associado à reestruturação, na esperança de que com as diferentes áreas e a especialização seja criado mais poder de mercado. Será preciso observar em que media isso implica custos mais elevados, porque talvez haja mais profissionais especializados em cada uma das subsidiárias. Mas acho que foi uma manobra inteligente dar nova vida à Google, não apenas com o nove nome Alphabet.
    Quem o senhor acha que serviu de inspiração para a reestruturação: um inovador como Steve Jobs ou um homem de negócios como Warren Buffet?
    Acho que foi uma decisão conjunta de todos os envolvidos. Considerando-se a situação no mercado e nos mercados de ação, a Google tem que pensar no longo prazo em como levar a empresa adiante e fomentar o crescimento. E o crescimento não está mais no negócio dos motores de busca, pois a companhia já é líder de mercado no setor. Ciências biológicas, biotecnologia e transporte serão áreas de expansão. A Google não está abandonando seu negócio principal, mas o está transformando gradualmente para atuar também na economia real.
    Essa é a estratégia da Google: deixar de ser uma empresa apenas de internet para se tornar um conglomerado multifacetado na economia real. E a reestruturação anunciada nesta segunda-feira é parte desse processo.
    E mais uma coisa: o nome Alphabet leva a Google do G ao A, o que significa que ela aparecerá antes do F de Facebook em listagens de grandes empresas de internet.

    DW

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