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    14 julho 2015

    Feriado muçulmano é marcado por gritos de “morte a Israel”


    Manifestações ocorreram na data em que acordo nuclear deveria ser assinado

    A data-limite estabelecida pelos negociadores iranianos e os da ONU para assinarem o acordo nuclear era sexta-feira (10). Uma solução definitiva não foi alcançada e não se sabe até que ponto o Irã aceitará paralisar seu programa de produção de armas nucleares em troca do fim das sanções econômicas.
    Embora a grande mídia pouco tenha divulgado, a data coincidiu com o chamado “dia de Al Quds” no calendário muçulmano, a última sexta do Ramadã. Seguindo a tradição corânica, é o dia santo da semana no período mais santo do ano.
    É feriado no Irã e por isso as ruas estavam cheias de muçulmanos devotos “comemorando” a data. Al Quds em árabe significa “A Santa”, nome dada a Jerusalém pelos islâmicos. A data foi proclamada feriado em 1979 pelo influente aiatolá Ruhollah Khomeini como um dever religioso para todos os muçulmanos.
    Eles deveriam se reunir em solidariedade contra Israel e pedir a “libertação” de Jerusalém.  Aos poucos foi sendo adotado em outros países. Este ano ocorreram grandes manifestações no Iraque e no Líbano.
    O que se via nas ruas de várias cidades, inclusive na capital Teerã eram bandeiras dos Estados Unidos e de Israel sendo queimadas, enquanto eram gritadas palavras de ordem pedindo “Morte a Israel” e “Morte à América”.
    Além disso foram exibidos e incendiados pôsteres com as imagens do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu e do presidente dos EUA, Barack Obama, também havia fotos e desenhos do rei saudita Salman, considerado traidor pelos iranianos por causa de sua proximidade política com os americanos. Bonecos representando os três líderes também foram destruídos e queimados em público.
    Milhares de manifestações hoje foram feitas por seguidores de Maomé em favor dos palestinos, pediam o fim dos judeus e a retomada de Jerusalém, terceira cidade mais sagrada do Islã.
    “O mundo islâmico deve declarar em uníssono neste dia de raiva, seu ódio e sua unidade na resistência contra Israel”, disse o presidente Hassan Rohani numa manifestação do ano passado na capital iraniana. A guerra entre Israel e o Hamas em Gaza estava no auge.
    Sites de notícias registram que este ano Rouhani não apareceu publicamente, mas declarou que não podia deixar de manifestar o “seu desagrado com o regime sionista [de Israel] e as forças terroristas”.
    O jornal The Jerusalem Post informa que o aiatolá Mohammad Taqi Vaezi, membro da Assembleia de Especialistas do Irã, foi visto gritando “Morte ao regime sionista” e acusando os israelenses de “agressão”.
    O Ministério das Relações Exteriores do Irã também pediu o desaparecimento do Estado judeu, convocando os palestinos para “defender os seus direitos, libertar a sua pátria e Al Quds [Jerusalém].”
    As autoridades iranianas não se importam com o que o restante do mundo ocidental irá pensar. Mesmo estando em meio a negociações que podem alterar o futuro imediato do Oriente Médio. No início desta semana, o ex-presidente Hashemi Rafsanjani disse: “Israel é um estado temporário e falso. É um objeto estranho no corpo de uma nação e que será apagado em breve.”
    O comandante das forças terrestres iranianas, brigadeiro-general Ahmad Reza Pourdastan, declarou que “Os Estados Unidos podem chegar a alguns acordos com nosso país no âmbito do Grupo 5+1 [EUA, Rússia, China, Grã-Bretanha e França, mais a Alemanha], mas nunca iremos ter uma visão positiva do inimigo”.
    O atual líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei usou as redes sociais para escrever: “Existem dois lados na opressão: opressor e oprimidos. Apoiamos os oprimidos e somos contra os opressores”.
    Apesar desse tipo de colocações mostrarem o que os iranianos realmente desejam, as Nações Unidas negaram-se a ouvir quando Benjamin Netanyahu, afirmou que essas conversações “não representam um avanço, mas sim um colapso”.
    Liderados por Obama, os EUA que tradicionalmente são o maior aliado de Israel, estaria pressionando para que o Estado judeu se livrasse de todas as suas armas nucleares para com isso garantir a paz na região.
    A decisão final deve ser assinada nesta segunda (13). Os termos do acordo mantêm representantes do Conselho de Segurança da ONU e do Irã em debates contínuos por mais de duas semanas. A “queda de braço” já dura mais de 12 anos.
    Em sinal de boa vontade, a União Europeia suspendeu no ano passado algumas sanções contra o Irã envolvendo setores-chave da economia como produtos petroquímicos, comércio de ouro e de metais preciosos e as transferências financeiras.
    Permanecem o embargo à venda de armas, a proibição de empréstimos governamentais a autoridades iranianas e as exportações de petróleo e de gás. Para pôr fim ao impasse, Teerã precisa parar suas atividades nucleares e submeter-se à vigilância dos inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica. Até o momento, o Irã não aceitou os termos propostos.

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