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    15 outubro 2014

    EUA pode ameaçar o futuro de Israel


    Os Estados Unidos sempre foram considerados o maior aliado de Israel e responsável pela segurança na região através de parcerias políticas e militares. Contudo, a administração Obama tem mudado essa relação histórica e, segundo analistas, pode ameaçar o futuro de Israel.
    Ao longo deste ano, o Secretário de Estado dos EUA John Kerry fez propostas que assustaram as autoridades israelenses. No ano passado, já havia chamado a Palestina de “país”, algo que oficialmente nem a ONU reconhece.
    Foi mais além, conversando com Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Palestina, sobre a possibilidade de retorno de 80.000 palestinos considerados “refugiados”. Isso afetaria grandemente a delicada relação do governo do Estado judeu com a minoria que vive na Cisjordânia e em Gaza, especialmente após os conflitos deste ano contra o Hamas.

    Em nome das negociações de paz na região, Kerry demonstra uma grande mudança nas relações EUA-Israel. Ele esteve novamente em território israelense esta semana e conversou com Abbas. Este, por sua vez, insiste que seriam 200.000 palestinos árabes que desejam regressar.
    Seu argumento é que são as famílias que fugiram de Israel na Guerra de Independência, em 1948. Israel argumenta que seriam os descendentes dos refugiados, que não nasceram em solo israelense e por isso não teriam direito à cidadania. Lembrou ainda que a maioria dos árabes que saíram de Israel na época, seguiram orientações de seus líderes, que ameaçavam uma invasão em larga escala, afirmando que os judeus seriam aniquilados e que os árabes logo voltariam para suas casas.
    Como essa invasão nunca ocorreu, o governo de Israel não reconhece o status de “refugiados” de guerra dessas pessoas e acredita ser mais uma tentativa disfarçada de mudar a demografia de Israel com palestinos árabes para enfraquecer a maioria judaica.
    Mesmo assim, Kerry continua defendendo a ideia de entregar partes de Jerusalém para a Autoridade Nacional Palestina, deixando a Jordânia com jurisdição sobre os locais sagrados da cidade.
    O governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu não reconhece Jerusalém Oriental como a capital do Estado palestino, reforçando que a cidade eterna é “indivisível”.
    Com os estragos na Faixa de Gaza, causados pela guerra com o Hamas entre julho e agosto, foi realizada uma conferência no Cairo para debater a ajuda internacional. Os Estados Unidos anunciam que, juntamente com o Egito e outros doadores, poderá ajudar na reconstrução com até 5,4 bilhões de dólares. Essa oferta dependeria de um acordo definitivo, pois após três guerras em seis anos, muitos países estão cansados de financiar reconstruções que duram apenas até que um novo conflito se inicie.
    O Secretário de Estado americano adverte que o cessar-fogo em vigor entre Israel e o Hamas deste ano “não é a paz desejada” e clamou para que sejam tomadas “decisões difíceis, decisões de verdade”.
    O ministro das Relações Exteriores de Israel, Avigdor Lieberman, já avisou que não haverá discussão “Se for apenas para lidar com as demandas dos palestinos, pois seria perda de tempo”.
    Os conflitos armados deixaram quase 2.200 palestinos mortos e cerca de um quarto da Faixa de Gaza sofreu danos. Ali vivem atualmente 1,7 milhão de pessoas. Os 4 bilhões de dólares pedidos pela Autoridade Palestina seriam destinados à construção de casas.
    Por enquanto o governo do Catar se comprometeu com um bilhão de dólares. Washington concederá 212 milhões de dólares, totalizando 400 milhões somente no último ano. Outros 28 países árabes enviaram representantes para debater o assunto. Catherine Ashton, chefe da diplomacia europeia, anunciou que poderá dispor de 568 milhões de dólares.
    Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU, esteve em Gaza nesta terça-feira. Na entrevista coletiva realizada ao lado do primeiro-ministro palestino, Rami Hamdala, foi enfático “A única solução à situação política é terminar com a ocupação israelense e trabalhar na solução de dois Estados em paz e segurança”.
    Ele viajou pressionado por decisões do Parlamento do Reino Unido, que aprovou a moção simbólica de reconhecimento do Estado palestino. Enquanto na Itália, Arturo Scotto, líder do partido Esquerda Ecológica Liberdade (SEL), exige que o governo italiano reconheça a existência de um Estado palestino. Um “efeito cascata” das decisões de americanos e pressão europeia podem definitivamente ameaçar o futuro de Israel como nós o conhecemos. Com informações Exame e Israel National News.

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