Insurgentes do Estado Islâmico no Iraque e na Síria têm distribuído um panfleto conclamando os muçulmanos a jurarem lealdade ao chefe do grupo, Abu Bakr al-Baghdadi, insistindo numa campanha para estabelecer um "califado", mesmo que forças lideradas pelos Estados Unidos estejam bombardeando suas posições.

Baghdadi reivindica o poder sobre o califado islâmico, o Estado muçulmano criado pelos primeiros seguidores do profeta Maomé após sua morte, o que tem deixado muitos líderes muçulmanos furiosos e serviu de estopim para uma batalha ideológica por legitimidade.

Fontes islâmicas na Síria disseram que o panfleto, distribuído amplamente online por apoiadores do Estado Islâmico (EI), representa um passo a mais na campanha do grupo para estabelecer um califado e familiarizar o público com Baghdadi.


Intitulado "Estenda suas mãos e jure lealdade a Baghdadi", o panfleto parece ter como base um comunicado mais longo, escrito no ano passado pelo representante religioso do grupo, Turki al-Binali, no qual argumenta as razões pelas quais Baghdadi merece receber a lealdade dos islâmicos.

Dirigindo-se "a qualquer um que lutou ou ainda luta no caminho de Deus... aos comandantes de grupos", o panfleto remonta a linhagem de Baghdadi até o profeta Maomé, ressalta seus estudos sobre a lei islâmica e lista suas conquistas no campo de batalha, enquanto pede aos apoiadores que se unam contra um grupo de inimigos.

Uma coalizão dos Estados Unidos e aliados árabes, incluindo a Arábia Saudita, que segue a doutrina ultraconservadora wahhabi do islamismo sunita, tem conduzido ataques aéreos contra o EI na Síria.

"Não seria o momento de se unir aos seus irmãos? Estabelecer e elevar seu Estado? O inimigo tem aliados para combater você, então se una para combatê-lo", diz o panfleto.

A campanha liderada pelos Estados Unidos tem levado alguns membros do grupo afiliado à Al Qaeda na Síria, a Frente Nusra, a pressionarem seus líderes para que se reconciliem com o EI, após os dois grupos terem se desentendido este ano.

Entre vários acadêmicos de história religiosa, o panfleto cita Mohammad ibn Abd al-Wahhab, fundador da escola wahhabi saudita, cuja aliança no século 18 com a família saudita continua a servir como alicerce para a política do país.

O establishment religioso do reino tem feito campanha contra a militância nas últimas semanas, descrevendo tanto o Estado Islâmico como a Al Qaeda como os principais inimigos do islã. Em agosto, o grande mufti da Arábia Saudita pediu aos jovens que ignorem os chamados para se juntar à jihad feitos por pessoas que representam "princípios pervertidos".

Fonte: G1

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