terça-feira, 30 de setembro de 2014

Igreja católica: Ex-núncio tinha 100 mil arquivos com pornografia infantil, diz jornal

O polonês Josef Wesolowski foi preso nesta terça no Vaticano.Vaticano julga pela 1ª vez um religioso por abusos sexuais contra menores.

Foto de arquivo de 12 de agosto de 2011 mostra
Jozef Wesolowski, ex- núncio do Vaticano em Santo
Domingo (Foto: Erika Santelices/ Arquivo AFP)

A polícia do Vaticano encontrou mais de 100 mil arquivos de fotos e vídeos com pornografia infantil no computador do ex-núncio do Vaticano na República Dominicana Josef Wesolowski, preso nesta terça-feira sob acusação de pedofilia, publicou o jornal “Corriere Della Sera” nesta sexta-feira (26). 

De acordo com o jornal, os arquivos contêm imagens e filmes baixados da internet, além de fotos “que as próprias vítimas tinham sido forçadas a tirar”. As crianças nas imagens têm idade entre 13 e 17 anos, são filmadas nuas e forçadas a ter relações sexuais entre si e com adultos, diz o jornal. Seriam 130 vídeos e mais de 86 mil fotografias. Outras 46 mil imagens teriam sido apagadas.


O periódico ainda afirma que a investigação criminal, que procura possíveis cúmplices de Wesolowski, suspeita de que o ex-núncio possa estar ligado a uma rede internacional de pedofilia.

A análise de e-mails e arquivos salvos no computador pode revelar a identidade das pessoas com quem ele se comunicou. A investigação considera todos os países por onde o ex-núncio apostólico (embaixador do Papa) passou antes de chegar a Santo Domingo, na República Dominicana.

Prisão domiciliar
Pela primeira vez, o Vaticano se dispõe a julgar penalmente um religioso, por abusos sexuais contra menores e posse de pornografia infantil. 

Wesolowski é a figura mais proeminente da Igreja a ser presa desde que Paolo Gabriele, um ex-mordomo papal, foi condenado em 2012 por roubar e vazar documentos privados do Papa Bento XVI. 

Diferente de Gabriele, Wesolowski não foi detido na prisão do Vaticano, poucos quartos anexados a um tribunal, mas foi colocado em prisão domiciliar em um apartamento do Vaticano por razões médicas. 

Wesolowski foi afastado por um tribunal do Vaticano no começo deste ano e aguardava julgamento e acusações criminais. 

Ele estava morando em liberdade em Roma, e vítimas de abuso sexual pediam sua prisão, expressando preocupação de que ele pudesse fugir. 

O Vaticano disse que esta detenção reflete o desejo do Papa Francisco “que um caso tão grave e delicado seja tratado sem atraso, com rigor justo e necessário”. 

O Vaticano anunciou em maio que os tribunais eclesiásticos puniram pelo menos 3.420 padres e religiosos nos últimos 10 anos. 

G1
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