quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Ébola ameaça existência da Libéria, diz ministro liberiano


Há 4239 pessoas doentes e 2296 mortes devido ao vírus. Na Libéria, que está na pior situação, os números estão subestimados, garante a Organização Mundial da Saúde.

Em Monróvia, capital da Libéria, a epidemia do ébola está a causar os maiores estragos e continua descontrolada. Os doentes não são recebidos nos centros de saúde e têm de voltar para casa, mesmo que tenham contraído o vírus hemorrágico que atinge a África Ocidental. As pessoas têm medo. O ministro da Defesa liberiano disse na terça-feira ao Conselho de Segurança das Nações Unidas que a Libéria está a enfrentar uma séria ameaça à sua existência.

“Vim para cuidar de mim, mas eles disseram-me que não há mais lugares. Tenho uma dor de cabeça e febre. Vou voltar para casa”, disse à agência AFP um doente não identificado, junto de um centro de tratamentos, em Monróvia, a abarrotar de doentes.


Ainda nesta semana, a Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou que nas próximas três semanas iriam surgir milhares de novos pacientes com ébola na Libéria. O surto surgiu na Guiné-Conacri em Dezembro de 2013, e desde aí já se espalhou para a Libéria, a Serra Leoa, a Nigéria e o Senegal, com apenas um caso confirmado.

Na terça-feira, ao final do dia, a OMS actualizou o número desta epidemia: 4239 pessoas já foram infectadas e 2296 morreram. Segundo a agência Reuters, em apenas um dia o número de mortos foi quase de duas centenas. Só na Libéria, já morreram 1224 pessoas.

“A Libéria está a enfrentar uma séria ameaça à sua existência nacional. O vírus mortal do ébola causou a disrupção do funcionamento normal do nosso Estado”, disse Brownie Samukai, ministro da Defesa Nacional, ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, nesta terça-feira.

A OMS tinha explicado que era necessário triplicar ou quadruplicar a resposta ao ébola na Libéria, onde 14 dos 15 municípios foram atingidos pela doença que é, para já, incurável.

Na capital, as pessoas têm medo de apanhar a doença. “Emmanuel, não saias de casa hoje. Assegura-te que ninguém entra”, disse Kluboh Johnson, uma mulher de 45 anos, falando com o filho, antes de ir para o trabalho. “Tenho medo. O que se faz agora? Vamos morrer?”, desabafou a mulher, à AFP.

A OMS garante que a proporção da epidemia está, por agora, subestimada. “Sabemos que os números estão subestimados”, disse Sylvie Brian, directora do Departamento de Doenças Epidémicas e Pandémicas da OMS, numa conferência de imprensa em Genebra. “Estamos a trabalhar para estimar o grau de desconhecimento. É uma guerra contra o vírus. É uma guerra muito difícil. O que tentamos agora é ganhar algumas batalhas nalguns locais.”

Boas notícias no Senegal

Cerca de 60% das mortes na Libéria ocorreram nas últimas três semanas, enquanto na Guiné-Conacri e na Serra Leoa apenas 29% das mortes ocorreram durante a mesma altura, o que mostra que o combate ao surto está a ser mais eficaz naqueles dois países.

Na Nigéria, os casos de ébola desceram de 22 para 21 pessoas, já que uma pessoa suspeita de ter a doença afinal não tinha contraído o vírus.

Já no Senegal, o estudante de 21 anos com ébola que fugiu da Guiné-Conacri para aquele país está curado. “Fizemos um primeiro teste ao sangue na sexta-feira e um segundo 48 horas depois e ambos deram negativo”, disse Papa Amadou Diack, director de saúde do Senegal, à Reuters. “Isto é uma muito boa notícia para o paciente e para o país.”

Das 67 pessoas que estão a ser monitorizadas no Senegal, por terem tido algum contacto com o rapaz, 33 estão sob quarentena e suspeita-se que duas estejam doentes, embora ainda não se tenha confirmado que tenham contraído o ébola.

Opera Mundi
O CORREIO DE DEUS
O CORREIO DE DEUS

This is a short biography of the post author. Maecenas nec odio et ante tincidunt tempus donec vitae sapien ut libero venenatis faucibus nullam quis ante maecenas nec odio et ante tincidunt tempus donec.