Faleceu neste domingo 14, no Hospital Central de Maracay, no estado venezuelano de Aragua, mais um paciente vítima de uma doença desconhecida.
Hospital Central de Maracay, no estado venezuelano de Aragua
Imagem: Wikipédia
Uma misteriosa doença está preocupando a população da Venezuela. Só em Maracay, capital do estado Aragua, nove pessoas já morreram após apresentar os mesmos sintomas. A divergência na informação dada por médicos e pelo governo vem fomentando a incerteza entre as pessoas. O país também enfrenta casos da febre chicungunha e a escassez de remédios e de materiais médicos, o que vem complicando ainda mais a situação.

Elianah Jorge, correspondência da RFI em Caracas 

Os principais sintomas são febre, dores pelo corpo, lesões na pele, vômitos e hemorragia. Em todo o país 10 pessoas já morreram após apresentar os mesmos sinais. Nove casos aconteceram no Hospital Central de Maracay, cidade localizada a pouco mais de uma hora da capital, e um em Caracas.

Para o governo,as mortes são casos isolados e sem ligação entre si. As notícias sobre a doença começaram a aparecer na última quinta-feira. Pouco se sabe sobre o mal e as formas de contágio. Alguns chamam de “doença misteriosa”, enquanto outros se referem a “síndrome febril hemorrágica”.

Nas redes sociais há campanhas extraoficiais pedindo que as pessoas evitem lugares com grandes aglomerações, como shoppings, hospitais e até mesmo escolas. A falta de informações claras está gerando ansiedade, sobretudo porque justamente esta semana começou o ano escolar aqui na Venezuela.

Ministra nega existência de febre hemorrágica no país 

Na noite desta terça-feira, a ministra da Saúde, Nancy Pérez, falou pela primeira vez sobre a doença. Segundo Pérez, “não há febre hemorrágica nem ebola na Venezuela”. Já Tarek El Aissami, governador do estado Aragua, onde as nove mortes foram registradas, denunciou ao Ministério Público o doutor Angel Sarmiento, que preside o Colégio Médico de Aragua pela “campanha terrorista” e pediu uma “investigação profunda” diante desta “terrível manipulação e ação comunicacional de alguns setores”.

Sarmiento, que é ligado ao partido opositor Ação Democrática, afirmou que “esta é uma rara doença pela qual o paciente morre em 72 horas de maneira abrupta”. Para a ministra da Comunicação, Delcy Rodríguez, esta é uma estratégia “difamatória” para “angustiar a população”.

Morte pela doença ainda não foi confirmada
O laudo médico de Franklin Fossi, de 40 anos, que morreu no último domingo, aponta que a causa mortis foi insuficiência ventilatória aguda tipo 1. Ao dar entrada no Hospital Central de Maracay ele apresentava infecção respiratória aguda grave, logo apareceram manchas no corpo e ele começou a sangrar quando tossia, o que levou a família a suspeitar da veracidade do documento médico. O Instituto Nacional de Higiene levou mostras para investigar a doença, mas até agora os resultados não foram divulgados.

Os médicos têm sido cautelosos tanto no tratamento como na aceitação de pacientes com sintomas parecidos com os da doença misteriosa, não apenas pelo cuidado em si, mas também pelo alto número de pessoas com a febre chicungunha, que tem lotado as salas de espera de clínicas e hospitais. Há também o grave problema da falta de remédios, materiais médicos e reagentes para exames. É o paciente quem fornece os produtos para um tratamento adequado. Em Caracas, o hospital que recebeu o primeiro caso fatal da nova doença só foi reaberto após passar por uma minuciosa higienização. Há queixas de que os centros de saúde estão selecionando os pacientes que serão atendidos por medo da fatal doença. A Sociedade Venezuelana de Infectologia emitiu um comunicado pedindo que o Estado informe à população e aos profissionais de saúde as possíveis explicações destes fenômenos e que divulgue com clareza os resultados das pesquisas realizadas.

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