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    01 agosto 2014

    Epidemia africana pode ser mais temível do que AIDS


    Uma mulher foi hospitalizada em Hong Kong com possível infeção de ebola. Segundo o jornal China Daily, a paciente acabava de voltar da África, onde a epidemia já matou mais de 670 pessoas. O diagnóstico não se provou mas nem por isso a Ásia está isenta do perigo do ebola.

    A Europa também está alarmada. Na segunda-feira desta semana, um avião proveniente da Nigéria levou a Birmingham, segunda maior cidade do Reino Unido, um passageiro que foi logo hospitalizado com sintomas que pareciam de ebola. Segundo o canal Sky News, os testes médicos provaram que não se tratava de ebola. Mas cautela nunca é demais e o governo britânico convocou uma sessão de urgência do comitê anticrise (COBR, na sigla em inglês) dedicada à ameaça do ebola fora da África.


    A epidemia atual do ebola começou em fevereiro na Guiné, se espalhando dali para as vizinhas Serra Leoa e Libéria. Recentemente, foi registrado o primeiro caso letal na cidade mais povoada da Nigéria, Lagos.

    Dos mais de 1.100 casos de infeção registrados desde o início da epidemia, cerca de 700 foram letais. É a primeira vez que o vírus do ebola é tão cruel, diz Mikhail Schelkanov, chefe do Laboratório da Ecologia e de Vírus do Instituto de Virologia russo:

    “Nunca tinha havido uma epidemia tão grande em condições urbanas. Houve muitas epidemias em regiões agrícolas da África, mas é um caso extraordinário que a Organização Mundial de Saúde (OMS) não possa parar uma epidemia tão letal que se espalha em condições urbanas, em cidades grandes, e durante tanto tempo”.

    O maior problema é que a doença não tem cura. O vírus do ebola foi descoberto em 1976 na República Democrática do Congo, em um povoado situado na beira do rio Ebola, daí o nome da doença. Desde então, houve vários surtos locais. Mas o vírus não se espalhava muito longe, por isso a medicina e a farmacêutica internacional não lhe prestavam muita atenção. Hoje em dia, só existem meios de diagnóstico para saber se uma pessoa tem ebola, mas não há nenhuma vacina. Mais do que isso: o mecanismo da infeção é quase desconhecido. Sabe-se que o vírus se transmite através do sangue e outros líquidos biológicos do homem, de macacos, porcos e talvez também de morcegos. A doença é muito rápida. Primeiro, a pessoa infetada sente forte cansaço e dores de garganta e de articulações. No primeiro dia, a temperatura do corpo sobe para 40 graus centígrados. Depois, vêm a diarreia com sangue e os vômitos. Em casos letais, a pessoa morre dentro de três dias.

    A epidemia atual do ebola ultrapassa as fronteiras de Estados Dois médicos norte-americanos que ajudavam na luta contra a doença na África morreram. A família de um deles já voltou para os Estados Unidos e agora está sendo monitorada pelos médicos, porque o período de incubação ainda não terminou.

    Pacientes com sintomas aparentando os do ebola foram hospitalizados no Canadá e no Reino Unido, todos eles acabavam de voltar de países africanos. Tudo isso levou à implementação de medidas mais rigorosas de controle de passageiros que vêm da África Ocidental em vários aeroportos nos países da Europa e na Rússia. Certos países até fecharam a comunicação aérea direta com a Guiné. Contudo, a OMS considera que essas medidas são exageradas, segundo afirma o vice-diretor do Centro de Virologia e Biotecnologia Vektor, em Novossibirsk, Raisa Martynyuk:

    “Em 24 de julho, em Genebra o secretário-geral da OMS convocou uma reunião para reforçar a luta contra o ebola na região africana. Foi reconhecido que, para localizar a epidemia, é preciso juntar recursos financeiros e administrativos adicionais. Porém, a OMS não recomenda, atualmente, restringir as relações turísticas ou comerciais devido à doença”.

    Porém, muitos especialistas são de outra opinião. A organização Médicos Sem Fronteiras publicou um relatório sobre a presente epidemia do ebola. Segundo esse texto, se o vírus continuar a se espalhar com a mesma velocidade de hoje, a doença pode tirar do pedestal o Aids no que toca à mortalidade.

    Voz Da Rússia

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