TEL AVIV — Israel autorizou nesta terça-feira a mobilização de 40 mil reservistas em caso de uma operação terrestre na Faixa de Gaza, informou a imprensa local, entrando em uma nova fase de hostilidade com o Hamas motivada pelo recente sequestro e assassinato de jovens israelenses e palestino. De segunda para terça-feira, cerca de 100 foguetes foram lançados a partir de Gaza em Israel, que respondeu com 50 ataques aéreos no território controlado pelo grupo militante islâmico. Não foi estabelecido um limite de tempo para a operação militar israelense, mas fontes do alto escalão do governo de Benjamin Netanyahu indicaram que poderia ser “longo”.

— O Hamas escolheu agravar a situação e vai pagar um preço alto por isso — ameaçou o premier, afirmando que havia chegado a hora de “arregaçar as mangas” contra o Hamas.

O movimento acontece em meio à pior onda de violência na região desde novembro de 2012, quando centenas de pessoas foram mortas em bombardeios, levando à declaração de um cessar-fogo.

Ao menos quatro palestinos morreram e 17 ficaram feridos — incluindo sete crianças e duas mulheres — nos ataques das forças de Israel em Gaza nesta madrugada, aumentando o número de mortos em dois dias para 13. Ao meio-dia, o Exército israelense anunciou que havia “atingido” o militante do Hamas Mohamed Goda, em Rafah, no Sul de Gaza, bem como “outros 40 alvos”.

Em um comunicado, o presidente palestino, Mahmoud Abbas, exigiu que Israel acabe imediatamente com a operação aérea. Abbas fez um apelo à comunidade internacional para deter o que ele classificou de “perigosa escalada que poderia provocar mais destruição e instabilidade na região”.

A operação aérea lançada por Israel, chamada de “Limite Protetor”, tem o objetivo de atacar o Hamas e deter o lançamento de foguetes. Cinco casas foram destruídas na investida, três em Khan Yunis, no Sul da Faixa de Gaza, e duas no Norte.

Os ataques intensificaram-se na noite de segunda-feira, poucas horas depois de três extremistas judeus confessarem ter assassinado e queimado vivo o palestino Mohammad Abu Khdeir, de 16 anos, cujo corpo foi encontrado na última quarta-feira.

Após a descoberta de seus restos mortais, os palestinos acusaram extremistas judeus de terem sequestrado e assassinado por vingança depois do rapto e morte de três estudantes israelenses na região de Hebron, na Cisjordânia, atribuído por Israel ao Hamas. O assassinato do jovem palestino, assim como o dos três israelenses, provocou grande comoção e revolta na região.

PARA HAMAS, ISRAEL ULTRAPASSOU LINHA VERMELHA

As brigadas Ezzedine al-Qassam (braço militar do Hamas) reivindicaram a autoria dos disparos de dezenas de foguetes contra o território israelense, em “resposta à agressão sionista”, e advertiram que Israel “ultrapassou a linha vermelha ao atacar casas”.

O ex-chefe de governo do grupo, Ismaïl Haniyeh, emitiu um comunicado pedindo unidade do povo para enfrentar a crise. Haniyeh afirmou que a ação israelense é uma oportunidade excepcional para a reconciliação entre os palestinos, em referência ao Hamas e à Organização de Libertação da Palestina (OLP), que tentam constituir um governo de união.

Segundo o Exército israelense, mais de 40 foguetes foram disparados de Gaza em apenas uma hora na segunda-feira à noite, e o sistema de defesa antimísseis destruiu 12 no ar. A TV estatal de Israel mostrou dezenas de tanques posicionados na fronteira.

— Os foguetes são uma reação natural aos crimes israelenses contra nosso povo. Que o ocupante (israelense) compreenda bem a mensagem. Não tememos suas ameaças — advertiu o porta-voz do Hamas em Gaza, Sami Abu Zuhri.

Diante da escalada da violência, Netanyahu se comprometera a “fazer o necessário para recuperar a paz e a segurança” no sul de Israel.

O GLOBO

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