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    19 julho 2014

    Brasil é o ÚNICO país do mundo a liberar mosquitos da dengue transgênicos


    A cidade de Juazeiro se tornou um laboratório de produção de mosquitos transgênicos da dengue, mas população desconhece o fato | Foto: Francisco Valdean. A população de Juazeiro e Jacobina – BA foi usada como cobaia

    Testes não comprovaram redução da doença

    Em 2011 foi instalada em Juazeiro uma “biofábrica” de insetos geneticamente modificados com apoio do Ministério da Agricultura e do governo baiano. Milhões de mosquitos transgênicos foram liberados em bairros de Juazeiro e Jacobina sem que sem que a população tenha sido devidamente consultada.


    O Aedes aegypti geneticamente modificado é produzido pela empresa inglesa Oxitec em parceria com a empresa Moscamed e a Universidade de São Paulo. Em abril de 2014 esses mosquitos foram liberados para uso comercial apesar de não ter sido realizada uma avaliação de risco e de não haver dados conclusivos dos estudos de campo.
    Curiosamente, em Jacobina, onde milhões de mosquitos transgênicos vem sendo liberados desde 2011, foi decretado em ferreiro de 2014 estado de emergência em função da ocorrência de uma epidemia de dengue.

    Experiências anteriores nas Ilhas Cayman mostraram que a tecnologia não funciona e precisa de mais de 7 milhões de mosquitos por semana para suprimir inicialmente uma população de apenas 20.000 mosquitos nativos, que deve ser seguida por liberações semanais de 2,8 milhões de mosquitos.



    A liberação desses mosquitos apresenta riscos ainda pouco entendidos:



    - Os experimentos da Oxitec não incluíram o monitoramento do impacto sobre a doença e a empresa não considerou possíveis efeitos negativos sobre a incidência de dengue ou dengue hemorrágica.


    - O maior risco ecológico é que a redução da população de A. aegypti dê lugar a outra espécie de mosquito também vetor de doenças, inclusive da dengue (A. albopictus).



    Os testes foram feitos em uma região de Caatinga e vão ser liberados em todos os ecossistemas do Brasil de sul a norte.
    - Não há testes toxicológicos que comprovem não haver riscos no caso de picadas de fêmeas do mosquito modificado em animais ou humanos.
    - A técnica que limita a reprodução do mosquito modificado pode ser quebrada no caso de contato com o antibiótico tetraciclina no ambiente. Os descendentes do mosquito da Oxitec têm taxa de sobrevivência de 3%, mas esse valor subiu para 18% quando foram alimentados com ração de gato contento frango tratado com o antibiótico. A tetraciclina é usada para a produção dos mosquitos GM em laboratório.
    As consequências para a saúde e para o meio ambiente ainda são pouco conhecidas e precisam ser melhor estudadas.

    NÃO CORRA RISCOS. Mosquitos transgênicos podem gerar problemas de saúde ainda não identificados. Discuta sobre esse assunto na escola, na associação, na igreja ou com os amigos na praça. Cobre dos gestores públicos da saúde em seu município uma solução que não gere problemas futuros para você e sua família.

    Referências:





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