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    05 maio 2014

    Comitê da ONU pressiona Vaticano sobre abuso sexual


    CIDADE DO VATICANO/GENEBRA, 5 Mai (Reuters) - Um comitê da ONU sobre tortura pressionou nesta segunda-feira o Vaticano sobre os escândalos de abusos sexuais de crianças na Igreja Católica, pedindo um sistema de investigação permanente para acabar com o "clima de impunidade" que prevalece há décadas.
    Em uma audiência de duas horas, em Genebra, o Comitê contra a Tortura fez uma enxurrada de perguntas para a delegação do Vaticano, questionando-a sobre decisões políticas passadas, a distinção jurídica entre a Santa Sé e a Cidade do Vaticano, e sobre casos específicos.

    O Vaticano, que vai divulgar suas respostas oficiais na terça-feira, disse que a Igreja "faz sua própria limpeza da casa" há 10 anos, e estava determinado a proteger as crianças e que suas medidas postas em prática levaram à redução dos casos de abuso sexual de crianças por padres.
    George Tugushi, um membro do comitê da Geórgia, disse que uma comissão internacional formada recentemente para aconselhar o papa Francisco sobre a forma de lidar com o abuso sexual foi um passo muito positivo, mas não o suficiente.
    "A comissão pode precisar de ajuda para garantir que todos os casos sejam denunciados corretamente e para começar a mudar o clima de impunidade, mas não pode ser considerada, em nossa opinião, como um substituto para um sistema de investigação em funcionamento", ele disse à delegação do Vaticano liderada pelo arcebispo Silvano Tomasi.
    Outro membro da comissão, Satyabhoosun Gupt Domah, perguntou se a Santa Sé estava tomando medidas para eliminar a "química que cria as condições" para o abuso sexual de crianças por padres.
    A posição da Santa Sé é a de adesão à Convenção das Nações Unidas contra a Tortura, que se aplica apenas ao território da Cidade do Vaticano. Tomasi disse que, embora a Santa Sé possa ser uma força moral, o "agente da justiça" para os crimes cometidos pelos católicos é o Estado local onde o crime é cometido.
    "Ressalte-se, particularmente à luz de muita confusão, que a Santa Sé não tem jurisdição ... sobre todos os membros da Igreja Católica", disse ele em discurso de abertura.
    Barbara Blaine, da Rede de Sobreviventes de Abusos ​​por Padres (SNAP, na sigla em inglês), acusou o Vaticano de se esquivar da responsabilidade. "Eles estão discutindo sobre minúcias quando deveriam estar abraçando as vítimas e acabando com a violência sexual", disse ela.
    O relator-chefe da comissão, Felice Gaer, dos Estados Unidos, disse à delegação do Vaticano que a sua posição "parece refletir a intenção de que uma parcela significativa das ações e omissões dos funcionários da Santa Sé seja excluída das considerações por esta comissão, e isso nos preocupa".
    Por Philip Pullella e Stephanie Nebehay

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