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    21 abril 2014

    O Cristianismo versus a Nova Era

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    O grande proveito que podemos tirar ao aprendermos a respeito da teologia ocultista da Nova Era como seita e sobre aqueles que se tornaram suas vítimas é poder confrontá-los com o rude contraste entre a teologia cristã histórica e as crenças da Nova Era. Mas para poder fazer isso eficazmente, há certos passos que precisam ser dados e certos métodos que precisam ser empregados para assegurar a máxima exposição e penetração do evangelismo e apologética cristãos.
    O cristão descobrirá quase imediatamente que, após ter testifi­cado quanto à verdade da mensagem do evangelho, terá de intro­duzir a apologética cristã, uma defesa racional da validade da verdade cristã.
    Embora alguns discordem da necessidade do enfoque duplo, tenho estado a palmilhar com sucesso a linha entre o evangelismo e a apologética por mais de trinta e oito anos. Não é de maneira alguma uma tarefa fácil, mas a partir de minha própria experiência e estudo, incluo as sugestões que se seguem. Elas podem ser extremamente úteis, permitindo-lhe chegar além do básico sem o erro de se tornar um mestre do óbvio.
    O Preparativo da Oração
    O apóstolo João nos relembra que “se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve. E, se sabemos que nos ouve em tudo o que lhe pedimos, sabemos que já alcançamos os pedidos que lhe fizemos” (1 João 5:14-15). Como sabemos ser isso verda­deiro e ser sua vontade que todos os homens sejam salvos (2 Pedro 3:9), devemos orar antes de nos encontrar com a pessoa que fomos levados a confrontar, continuar a orar enquanto estamos falando com ela, e orar mais após a confrontação. Deve ser uma oração específica, trazendo à mente as promessas que Deus fez, e pedin­do-lhe que abra os olhos e os ouvidos da alma e da mente dessa pessoa. Queremos que a luz gloriosa do evangelho de Cristo, que é a imagem de Deus, penetre no que é garantidamente trevas espiritual e mental. Disse o apóstolo Paulo:
    Mas, se o nosso evangelho ainda está encoberto, para os que se perdem está encoberto, nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que não lhes resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus (2 Coríntios 4:3-4).
    Isso não nos deveria surpreender, pois as Escrituras são claras ao declarar que “o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, pois lhe parecem loucura, e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (1 Coríntios 2:14).

    Sabemos, então, que se estamos orando para que Deus abra os olhos e ouvidos de suas mentes e de suas naturezas espirituais, nossas preces estão de acordo com a sua vontade. Devemos plantar a semente da verdade bíblica da mesma forma que o proverbial semeador fez, regando-a sempre com oração, confiantes de que “aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Cristo Jesus” (Filipenses 1:6).
    Repita e Reformule
    Precisamos cultivar com continuidade o fruto espiritual da paciência, e aprender a declarar nossa posição pelo menos três vezes com palavras diferentes (um dicionário de sinônimos é muito útil aqui). As pessoas freqüentemente não “ouvem” a pri­meira vez, mas precisam do reforço da repetição. Se você perceber que está perdendo a paciência, simplesmente lembre-se de como lhe foi difícil aceitar a verdade do evangelho quando estava na mesma condição da pessoa com quem está conversando. Ore para que o Senhor multiplique esse fruto durante o tempo do seu encontro.
    Comunique o Seu Amor
    Sempre que possível, comunique sua preocupação espiritual pela pessoa, citando Levítico 19:18 como seu motivo, e vá além do desejo de transformar a pessoa em estatística para alguma congregação local. Os adeptos da Nova Era são particularmente sensíveis ao amor e preocupam-se sinceramente com o seu bem-estar. O amor demonstra essa preocupação. Os teólogos medievais tinham um ditado: “O amor de Deus conquista todas as coisas.” Lembre-se, o Senhor jamais nos teria ordenado que amássemos ao nosso próximo como a nós mesmos se não tivéssemos a capa­cidade de fazer isso. Se você orar por isso, o amor se manifestará àquela pessoa.
    Busque Algo em Comum
    Encontre algo em comum de onde você possa abordar as questões controvertidas — talvez aproveitando antecedentes reli­giosos da pessoa, da família dela, ou de certos alvos e práticas que você tenha em comum com ela. Pode discutir aborto, clube, ecologia ou patriotismo. Seja qual for o assunto que você escolha para ajudar a estabelecer um relacionamento amigável, ele sempre ajudará a comunicação, particularmente se for na esfera de valores espirituais.
    Defina a Terminologia
    Defina a sua terminologia de forma inofensiva, e quando a pessoa estiver falando sobre Deus, amor, Jesus Cristo, salvação ou reencarnação, peça-lhe que explique o que quer dizer. Tente chegar a uma definição de dicionário em vez de um julgamento subjetivo. Existe uma diferença enorme entre uma definição de dicionário e uma enciclopédia de comentários subjetivos. Pode­mos comunicar com palavras definidas apropriadamente num con­texto de verdade objetiva, mas uma “sensação” sobre o que um termo significa, nada transmitirá.
    Assegure-se de você mesmo estar familiarizado com as defini­ções, particularmente quando chegar à terminologia especial re­definida pelas seitas e pelo ocultismo. Essas palavras perigosas podem ser facilmente desarmadas com uma referência ao dicionário. Isso é particularmente verdadeiro quando se trata de assun­tos como a natureza do homem, pecados humanos, os problemas do mal e julgamento ou justiça divinos. Tome o cuidado de manter a definição simples.
    O Dr. Donald Grey Barnhouse comparou certa vez a comuni­cação do evangelho com alimentar vacas. Disse ele: “Tire o feno do alto do celeiro e coloque-o no chão onde as vacas possam chegar a ele.” Mantenha a coisa tão simples quanto possível. Você não está ali para impressionar a pessoa com quanto você sabe ou com quanto pode ser eloqüente. Está ali para ser um representante do Espírito Santo, cuja tarefa é a de convencer “o mundo do pecado, da justiça e do juízo” (João 16:8).
    Deus não nos chamou para converter o mundo; ele nos chamou para plantar as sementes do evangelho e as regarmos com oração. E do Espírito a tarefa de fazer viver essas sementes, e ele prometeu que, se formos fiéis, ele o fará.
    Pergunte, Não Ensine
    Não tente ensinar um adepto da Nova Era ou de seita, pois no momento em que você colocar as vestes de professor, ele se “desligará” exatamente como foi programado para fazer. Quando o Senhor Jesus Cristo ensinava durante seu ministério terreno, ele raciocinava com as pessoas e continuamente fazia perguntas. Quando elas não conseguiam responder o que ele tinha a dizer, ele começava a ensiná-las. Seu diálogo era mais bem-sucedido do que se ele tivesse começado ensinando.
    As pessoas sentem-se ameaçadas por outras que as intimidam com uma atitude professoral que comunica um ar de supe­rioridade, quer real, quer imaginado. Entretanto, como sua ma­neira pode ser interpretada como arrogância, o lema deve ser a cautela.
    Jesus questionava os fariseus, os saduceus, os escribas, os herodianos e até mesmo as pessoas comuns em assuntos para os quais elas não tinham respostas reais de valor duradouro. Se a Verdade Encarnada usou de tanto tato, nós também poderíamos usar um pouco de tato santificado. O encontro de Jesus com a mulher junto ao poço (João 4) foi uma boa ilustração das técnicas de nosso
    Senhor, e o Espírito Santo a considerou importante o suficiente para registrá-la de modo que pudéssemos nos beneficiar do co­nhecimento que o Senhor tinha da natureza humana.

    Leia a Palavra
    Sempre que possível, use sua Bíblia e peça ao adepto da Nova Era que leia as passagens específicas que estão sendo debatidas. Chamo essa técnica de “cair sobre a espada”. Como a Bíblia é chamada a espada do Espírito (Efésios 6:17), precisamos apenas posicionar a espada apropriadamente quando eles a lêem, e ela penetrará, até mesmo onde todos os nossos argumentos e raciocí­nios tiverem falhado.
    A Bíblia nos relembra vez após vez que “a palavra de Deus não está presa” (2 Timóteo 2:9), mas é “mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração” (Hebreus 4:12). Você precisa continuamente trazer o adepto da Nova Era de volta à autoridade do que Deus disse, particularmente com relação à consciência de pecado pessoal.
    Não ataque o adepto da Nova Era com a espada do Espírito, mas sim permita que o Espírito use seu instrumento para atraves­sar o tecido cicatrizado que o pecado criou nas mentes e espíritos dos homens não regenerados. O Espírito é o mestre por excelência e o maior de todos os cirurgiões; deixe-o fazer o trabalho. Você precisa simplesmente preparar o paciente para a cirurgia.
    Evite Criticar
    Evite atacar os líderes da seita Nova Era ou fundadores de grupos específicos, pois mesmo que o adepto da Nova Era saiba que você está certo, ele continua fiel à natureza humana e os defende do que considera uma crítica desamorosa. O adepto da Nova Era não tem consciência de que revelar a verdade é a coisa mais amorosa que a pessoa pode fazer, mas essa verdade precisa ser falada em amor, e mesmo assim somente após muito trabalho ter sido realizado de sua parte para mostrar que você não fala por amargura ou por ter um espírito acusatório, mas simplesmente da perspectiva do fato histórico.
    Elogie
    Louve o zelo, dedicação e (sempre que possível) as metas do movimento Nova Era, porque sua natureza básica é tanto messiâ­nica quando milenar. A seita Nova Era está buscando as coisas certas, mas com os métodos errados e pelas razões erradas, às vezes apenas porque sua visão está danificada pelo pecado. Lembre-lhes de que sua busca para um fim da pobreza, das moléstias, do sofrimento, da discriminação racial, das desigualdades e tirania econômica e política são coisas com as quais o cristianismo vem-se preocupando por quase dois mil anos.
    Muitos adeptos da Nova Era estão genuinamente buscando condições milenares sobre a terra. Mas não haverá reino algum sem o Rei, justiça alguma sem amor, e poder algum sem controle. Mostre-lhes a partir da Escritura que aqueles que seguem a Jesus Cristo herdarão todas essas coisas como dádiva de Deus, e que os reinos deste mundo, quando se tornarem os reinos de nosso Senhor Jesus Cristo, refletirão muitos dos valores que os adeptos da Nova Era agora professam ter como sacros.
    Tire tempo para louvar-lhes os esforços na área da conservação e preocupação com o bem-estar do planeta, bem como das criatu­ras que nele habitam. Persuada-os da sua preocupação nessas mesmas áreas, mas use a oportunidade para mostrar que não importa quanto trabalhemos duro: ainda vivemos num mundo que está sofrendo de condições irremediáveis causadas pela rebel­dia do homem contra o seu Criador.
    Cite algumas das imperfeições que demonstram esse fato: guer­ra, a opressão de minorias e o abuso dos direitos humanos. Todos esses nos fazem lembrar do fato de que “todos pecaram e destituí­dos estão da glória de Deus” (Romanos 3:23).
    Os adeptos da Nova Era ficam às vezes desarmados pelos elogios, pois lhes ensinaram incorretamente a crer que o cristia­nismo é tão voltado para o céu que para nada serve na terra, e que o Deus da Bíblia não se importa com a sua criação. Deixe que eles vejam que você entende e que se importa. Mostre que você se importa porque Deus nos mostrou em sua Palavra que se preocu­pa.
    Estude o Nova Era
    Quando se defrontar com o pensamento da Nova Era, assegu­re-se de poder citar corretamente líderes e escritos da Nova Era. Se você não compreende ou não leu a respeito do que o seu oponente está falando, faça força para averiguar antes de falar de novo com ele. Isso lhe mostrará que você é coerente e está interes­sado no seu bem-estar e na verdade como um todo. Esteja prepa­rado para dizer: “Bem, ainda não vi ou li isso, mas certamente gostaria de examiná-lo.” Depois faça isso.
    Defina “Jesus”
    Pergunte ao adepto da Nova Era se ele pode explicar a diferença entre o Jesus encontrado na Bíblia e o Jesus que aparece na literatura da Nova Era. Leve-o a 2 Coríntios 11 e preste atenção especial aos versículos três e quatro:
    Mas temo que, assim como a serpente enganou a Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos entendimentos, e se apartem da simplicidade que há em Cristo. Pois se alguém for pregar-vos outro Jesus que nós não temos pregado, ou se recebeis outro espírito que não recebestes, ou outro evangelho que não abraçastes, de boa mente o suportais.
    Faça-lhe ver que o nome “Jesus” nada significa, a menos que seja definido dentro do contexto da revelação do Novo Testamen­to.
    Podemos dizer o que quisermos a respeito de Jesus, mas um retrato exato dele requer fatos tirados dos documentos fontes, não de alguém tentando “restaurar” o “Jesus histórico” centenas de anos ou quase dois mil anos depois, quando de fato o único Jesus histórico é o Jesus do Novo Testamento.
    É sempre útil mostrar que a palavra “Jesus” é definida pela Nova Era de maneira completamente distinta da que o contexto da história exige. Use a oportunidade para exaltar o Senhor Jesus Cristo, não como um dentre muitos mensageiros enviados por um I período específico no tempo para um conjunto específico de I  necessidades, mas antes como o Senhor dos tempos, caminho que leva a Deus, à incorporação da verdade, e à encarnação da própria vida.
    Faça o adepto da Nova Era compreender que sua noção de Cristo como apenas um avatar, um mensageiro de Deus, é incoe­rente com o que Jesus disse a seu próprio respeito e o que a igreja tem crido. (Nesse ponto, João 3:16-17 pode ser muito útil se você puder ler com a pessoa.)
    Revele a Fraqueza do Relativismo Moral
    Fazendo perguntas, mostre ao adepto da Nova Era como é logicamente defeituoso permitir que o subjetivismo e o relativis­mo moral o orientem. Ajude-o a compreender que ele não pode viver coerentemente com esses princípios. Pergunte, por exem­plo: “Se a sua verdade é a sua verdade, e a minha verdade é a minha verdade, como podemos ter certeza a respeito de alguma coisa? Digamos que acontece de a minha verdade ser que Einstein estava errado na teoria da relatividade e nas teorias do campo unificado, ao passo que você e a verdade objetiva, tanto na matemática, quanto na física, confirmam que ele estava certo. Faz alguma diferença a verdade ser baseada em fatos ou sentimentos subjeti­vos? Einstein estava errado porque eu acho que ele estava errado?” O relativismo não produz nenhuma verdade.
    Um bom método nessa conjuntura é mostrar o que o grande filósofo Mortimer J. Adler, da universidade de Chicago, disse com relação à “verdade” subjetiva. O Dr. Adler sabiamente observou que o argumento usado pelos nazistas para matar os judeus foi uma posição que não poderia ser refutada num mundo de moralidade e ética relativas. Quem poderia condenar Hitler por assassinar seis milhões de judeus se a extinção dessas pessoas era a “sua verdade”? Argumentar que ele estava errado, se você for relativista, é enga­noso, porque sua própria definição de verdade dá a Hitler tanto direito ao seu ponto de vista quanto você tem ao seu.
    Mas o certo e o errado não são determinados por voto falado ou critério social; eles são fundamentados em padrões duradouros, reconhecidos universalmente como verdadeiros — corretamente designados como “valores morais absolutos”. Você pode mostrar ao adepto da Nova Era que se ele dirigir em alta velocidade no Rio de Janeiro, desprezando as luzes vermelhas e amarelas dos sinais de trânsito — apenas porque ele os considera irrelevantes à meta de chegar ao seu destino em tempo — isto lhe permitirá confrontar a verdade objetiva de que sua ação constitui crime quando a polícia o prender.
    Mostre que a Bíblia é Confiável
    E importante estabelecer a confiabilidade histórica da Bíblia quando estiver discutindo o conceito de verdade absoluta com os adeptos da Nova Era. A Bíblia precisa ser vista como guia à verdade superior para aqueles sem nenhum tipo de credencial. Podemos nos beneficiar de um estudo da história e arqueologia bíblica para dar mais credibilidade à nossa posição. Há muitos livros excelentes sobre esses assuntos, escritos com o pastor e o leigo em mente.
    Revele o Incoerência do Conceito da Nova Era sobre o Mundo
    Mostre as diferenças subjacentes entre os conceitos cristão e da Nova Era sobre o mundo, e mostre que o conceito cristão é radical­mente mais coerente com o mundo e a humanidade.
    O conceito do mundo que o movimento Nova Era defende é monístico e panteístico. O panteísmo monístico, conforme previa­mente observamos, ensina que tudo é um e tudo é divino. Ele não faz divisão entre Deus e a sua criação. Isso é incoerente diante da lógica e da experiência, visto bilhões de pessoas poderem falar o pronome pessoal “eu” a partir do contexto de sua própria experiência e vida. Cada pessoa é diferente de todo o restante de seus semelhan­tes. A humanidade não pode nem mesmo coletivamente justificar a Terra, a vida, ou o problema do mal independente da revelação divina.
    Eu estava certa vez conversando com o apresentador de um programa de entrevistas da Nova Era. Quando eu citei a famosa prova de Descartes “Penso, portanto existo”, ele disse:
    — Descartes estava obviamente enganado. O que ele deveria ter dito é Tenso que penso, portanto, penso que existo’.
    Retruquei:
    — Isso soa bem, mas posso refutá-lo em trinta segundos se você não me interromper.
    Ele prometeu:
    — Não o interromperei, mas você não vai bater em mim para provar que estou aqui, vai?
    Ambos rimos e garanti-lhe que nenhuma violência seria prati­cada.
    Ele consultou o relógio de pulso e disse:
    — Pode começar.
    —  Tenho estado a conversar com você por cerca de quinze minutos, não é? — Ele me olhou em silêncio. — Se você disser que não tenho estado a conversar com você, e você não tem estado a conversar comigo, então um de nós é louco, e gente que fala com gente que não está aí não fica por aqui muito tempo.
    Ele pensou por um momento, depois disse:
    — Esse é um bom argumento, mas a verdade é realmente como cada um de nós a percebe.
    Não pude resistir ao argumento que o Dr. Adler havia apresen­tado, por isso respondi:
    — Fico contente por ver que você concorda com Adolfo Hitler em sua destruição dos judeus.
    Ele se retraiu horrorizado, mas sob a pressão do argumento do Dr. Adler admitiu vigorosamente que Hitler estava errado, que a percepção dele era errada. Contudo, o apresentador, permanecen­do coerente com sua filosofia, não podia encontrar uma forma de condenar Hitler. Concluiu ele:
    — Tornei-me ilógico dentro da estrutura de minhas próprias opiniões, e devo repudiar como um mal o que Hitler fez.
    O conceito do mundo que a Nova Era tem simplesmente não funciona no áspero mundo dos detalhes práticos da experiência cotidiana. Ele requer condições ideais para encontrar um lugar na mente do indivíduo e nos eventos que circundam sua vida de dia em dia. Sem isso, ele se desintegra sob os golpes de martelo do pecado e das circunstâncias.
    Jamais devemos esquecer que Deus plantou três coisas nas mentes de todos os homens, segundo Romanos 1. Ele nos tornou conscientes de sua existência como Criador, e isso nos deixa desconfortáveis. Somos dotados de uma consciência que julga constantemente as escolhas que fazemos como boas ou más. E
    Deus tornou nossos espíritos conscientes de que, visto não haver justiça perfeita neste mundo, o juízo certamente deve vir de outro. Descartes chamou-as de “idéias inatas”, mas elas de fato são conceitos espirituais conferidos que fazem parte da nossa criação à imagem e à semelhança de Deus (Gênesis 1:26-27). As palavras de Santo Agostinho ressoam sempre verdadeiras: “Tu nos fizeste, ó Senhor, e somos teus, e nossas almas vivem inquietas enquanto não descansam em ti.”
    Forneça Livros ou Fitas
    Indique ao adepto da Nova Era alguns bons livros, fitas, casse­tes de vídeo e de áudio, folhetos ou panfletos cristãos evangelísticos, que tratem do pensamento da Nova Era (ou você pode dar-lhe um). Se possível, encontre um que no seu entender, comunica com eficácia e imparcialidade, e diga à pessoa que você espera que ela considere seriamente outro ponto de vista e ore a respeito, porque Deus prometeu: “Buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes de todo o vosso coração” (Jeremias 29:13).
    Uma Nota de Advertência
    Ao pensarmos sobre encontrar ou confrontar pessoas da seita Nova Era, precisamos nos lembrar de que os cristãos podem ser às vezes influenciados e até mesmo desviados pelo pensamento da Nova Era. John Weldon e John Ankerberg escreveram:
    Os cristãos estão sendo influenciados pelo movimento Nova Era principalmente devido à ignorância dos ensi­nos bíblicos e falta de conhecimento doutrinário. Com a ênfase dos Estados Unidos sobre o materialísmo, está pesarosamente em falta o compromisso com Cristo; como Senhor em todas as áreas da vida. Isto traz resultados desastrosos. É uma pena que existam cristãos que           amam “mais a glória dos homens do que a glória de Deus” (João 12:43), que incorporam os caminhos do mundo à sua fé cristã (Tiago 1:27,1 João 2:15; 4:4), ou que ignoram a extensão da batalha espiritual (Atos 20:28-34; 2 Coríntios 4:4; Efésios 6:11-23; 2 Pedro 2:1; 1 João 4:1-3).
    Esses pecados do cristianismo americano nos deixa expostos a falsas filosofias como a do movimento Nova Era. Há sempre alguns cristãos que abraçarão ativamen­te sua cultura. Se tentam aprender dela intelectualmen­te ou tomar emprestado espiritualmente, ou gozar as delícias dos prazeres e passatempos do mundo, ou tentar algum tipo de reforma social dentro do contexto do cristianismo nominal, o resultado é que sua fé cristã se torna diluída ou absorvida por uma cultura inicialmen­te atraente mas alienígena. Isso quer dizer que na me­dida em que os Estados Unidos se voltam para a Nova Era, até certo ponto haverá cristãos que adotarão as práticas e as crenças da Nova Era.
    Ao enfrentar a seita Nova Era, estamos na realidade enfrentan­do com guerra espiritual as forças das trevas, e Deus nos diz que coloquemos toda a armadura do céu para que possamos resistir às forças de Satanás (Efésios 6:11).
    Não há, neste conflito, substituto para o conhecimento da palavra de Deus e o uso apropriado da espada do Espírito e do escudo da fé para desviar todos os dardos inflamados do maligno. As forças alinhadas contra nós são grandes, há muito em jogo: as almas de milhões de pessoas. Mas a promessa de Deus se mostra segura, podemos vencê-las “porque maior é o que está em vós do que o que está no mundo” (1 João 4:4).
    Prepare-se para o combate espiritual, estude e mostre-se apro­vado por Deus, um obreiro que não precisa corar de vergonha, interpretando corretamente a palavra da verdade. E acima de tudo, erga o escudo da fé declarando: “Jesus Cristo é Senhor da glória do Deus Pai.” A igreja cristã espera aquele momento glorioso quando “nascerá o sol da justiça, trazendo salvação debaixo das suas asas” (Malaquias 4:2), e as coisas antigas desta terra maldita passarão e Deus fará novas todas as coisas.
    Esta é a nossa esperança bendita, o aparecimento da glória do grande Deus e do nosso Salvador Jesus Cristo — essa é a esperança da igreja. Essa é a esperança das eras.

    Por Milton Bitbull
    Extraído do livro “Como Entender a Nova Era” de Walter Martin

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